Onde estão os mortos? — BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia (2022)

Onde estão os mortos?

“A TERRA é um mercado; o céu é nosso lar”, dizem os iorubas da África Ocidental. Essa idéia é repetida em muitas religiões. Transmite a noção de que a terra é semelhante a um mercado que visitamos por um curto período, e depois partimos. Segundo essa crença, quando morremos vamos para o céu, nossa verdadeira morada.

A Bíblia ensina realmente que alguns vão para o céu. Jesus Cristo disse aos seus fiéis apóstolos: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. ... Vou embora para vos preparar um lugar. Também, se eu for embora e vos preparar um lugar, virei novamente e vos acolherei a mim, para que, onde eu estiver, vós também estejais.” —João 14:2,3.

As palavras de Jesus não significam que todas as pessoas boas vão para o céu, ou que o céu é o lar da humanidade. Alguns são levados para o céu para participarem em governar a terra. Jeová Deus sabia que os governos humanos jamais teriam êxito em dirigir os assuntos na terra. Portanto, providenciou um governo, ou Reino, celestial que por fim haveria de assumir o controle sobre a terra e a transformaria no Paraíso originalmente intencionado. (Mateus 6:9,10) Jesus seria o Rei do Reino de Deus. (Daniel 7:13,14) Outros seriam escolhidos dentre a humanidade para governar com ele. ABíblia predisse que os levados para o céu seriam “um reino e sacerdotes para o nosso Deus” e iriam “reinar sobre a terra”. —Revelação (Apocalipse) 5:10.

Quem vai para o céu?

Considerando-se a grande responsabilidade que esses governantes celestiais terão, não é de surpreender que tenham de satisfazer rigorosos requisitos. Os que vão para o céu precisam ter conhecimento exato de Jeová e obedecer a ele. (João 17:3; Romanos 6:17,18) Exige-se que exerçam fé no sacrifício de resgate de Jesus Cristo. (João 3:16) Todavia, há mais envolvido. Precisam ser chamados e escolhidos por Deus, através de seu Filho. (2Timóteo 1:9,10; 1Pedro 2:9) Ademais, precisam ser cristãos batizados, ‘nascidos de novo’, gerados pelo espírito santo de Deus. (João 1:12,13; 3:3-6) Precisam também manter a integridade a Deus até a morte. —2Timóteo 2:11-13; Revelação 2:10.

Incontáveis milhões de pessoas que já viveram e morreram não satisfizeram esses requisitos. Muitos tiveram pouca oportunidade de aprender sobre o verdadeiro Deus. Outros nunca leram a Bíblia e sabem pouco ou nada sobre Jesus Cristo. Mesmo entre os verdadeiros cristãos na terra hoje, poucos foram escolhidos por Deus para ganhar a vida celestial.

Conseqüentemente, o número dos que irão para o céu seria relativamente pequeno. Jesus chamou a estes de “pequeno rebanho”. (Lucas 12:32) Mais tarde, revelou-se ao apóstolo João que os que foram “comprados da terra” para governar com Cristo no céu totalizariam apenas 144.000. (Revelação 14:1,3; 20:6) Quando comparados aos bilhões de pessoas que já viveram na terra, esse é de fato um número pequeno.

Os que não vão para o céu

O que acontece com os que não vão para o céu? Será que estão sofrendo num lugar de tormento eterno, como ensinam certas religiões? Naturalmente que não, pois Jeová é um Deus de amor. Pais amorosos não jogam os filhos no fogo, e Jeová definitivamente não tortura as pessoas assim. —1João 4:8.

A perspectiva da vasta maioria dos que morreram é a ressurreição num paraíso terrestre. ABíblia diz que Jeová criou a terra “para ser habitada”. (Isaías 45:18) O salmista declarou: “Quanto aos céus, os céus pertencem a Jeová, mas a terra ele deu aos filhos dos homens.” (Salmo 115:16) É a terra, e não o céu, que será o lar permanente da humanidade.

Jesus predisse: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz [a de Jesus, o “Filho do homem”] e sairão.” (João 5:27-29) O apóstolo cristão Paulo afirmou: “Tenho esperança para com Deus ... de que há de haver uma ressurreição tanto de justos como de injustos.” (Atos 24:15) Na estaca de tortura, Jesus prometeu a um malfeitor arrependido vida por meio duma ressurreição no paraíso terrestre. —Lucas 23:43.

Mas qual é a atual condição dos mortos que serão ressuscitados para viver na terra? Certo evento ocorrido no ministério de Jesus nos ajudará a responder a essa pergunta. Seu amigo Lázaro havia morrido. Antes de Jesus ir para ressuscitá-lo, disse aos discípulos: “Lázaro, nosso amigo, foi descansar, mas eu viajo para lá para o despertar do sono.” (João 11:11) Assim, Jesus comparou a morte ao sono, a um sono profundo em que não se sonha.

Dormir na morte

Outros textos bíblicos se harmonizam com essa idéia de dormir na morte. Não ensinam que os humanos têm uma alma imortal que passa para o domínio espiritual por ocasião da morte. Antes, a Bíblia diz: “Os mortos ... não estão cônscios de absolutamente nada ... Seu amor, e seu ódio, e seu ciúme já pereceram ... Não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol [a sepultura], o lugar para onde vais.” (Eclesiastes 9:5, 6,10) Ademais, o salmista declarou que o homem “volta ao seu solo; neste dia perecem deveras os seus pensamentos”. —Salmo 146:4.

Tais textos tornam claro que os que dormem na morte não podem ver-nos nem ouvir-nos. Eles não têm poder de conceder bênçãos ou causar calamidades. Não estão no céu, tampouco habitam numa comunidade de ancestrais. Estão sem vida, deixaram de existir.

No tempo devido de Deus, os que agora dormem na morte e estão guardados na Sua memória serão despertados para a vida num paraíso aqui na terra. A terra terá sido então purificada da poluição, das dificuldades e dos problemas que a humanidade passa atualmente. Que tempo alegre será este! Nesse Paraíso eles terão a perspectiva de viver para sempre, pois o Salmo 37:29 nos assegura: “Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.”

[Quadro nas páginas 6, 7]

DEIXEI DE ADORAR OS MORTOS

“Quando menino, eu auxiliava meu pai nos sacrifícios regulares que ele oferecia ao seu falecido pai. Certa ocasião, quando meu pai se recuperou duma terrível doença, o oráculo disse a ele que, como agradecimento pela recuperação, ele devia sacrificar um bode, inhames, nozes de cola e bebida alcoólica ao falecido pai. Meu pai também foi aconselhado a apelar aos seus ancestrais para afastar outras doenças e calamidades.

“Minha mãe comprou as coisas necessárias para o sacrifício, que devia ser realizado na sepultura de meu avô. A sepultura ficava bem ao lado de nossa casa, em harmonia com o costume local.

“Amigos, parentes e vizinhos foram convidados a presenciar o sacrifício. Meu pai, elegantemente vestido, como exigia a ocasião, sentou-se numa cadeira, de frente para o altar, onde havia vários crânios de bode enfileirados, usados em sacrifícios anteriores. Minha tarefa foi derramar vinho duma garrafa num pequeno copo, que entreguei a meu pai. Ele, por sua vez, o derramou no chão em sacrifício. Meu pai invocou três vezes o nome do pai, e orou para que o livrasse de calamidades futuras.

“Ofereceram-se nozes de cola, e um carneiro foi abatido, cozido e comido por todos os presentes. Eu participei em comer e dancei à música e ao ritmo dos tambores. Meu pai dançou bela e animadamente, apesar da idade. De vez em quando ele parava e orava para que seus ancestrais abençoassem a todos os presentes, enquanto as pessoas, incluindo eu, respondiam Ise, que significa ‘assim seja’. Eu observava meu pai com vivo interesse e admiração e ansiava o dia em que eu tivesse idade suficiente para oferecer sacrifícios aos ancestrais falecidos.

“Apesar dos muitos sacrifícios oferecidos, a família ainda assim não tinha paz. Embora minha mãe tivesse três filhos vivos, nenhuma das três filhas que lhe nasceram viveu muito; todas morreram na infância. Quando mamãe engravidou novamente, meu pai fez sacrifícios elaborados para a criança nascer saudável.

“Mamãe deu à luz outra menina. Dois anos depois, a criança adoeceu e morreu. Meu pai consultou o oráculo, que disse que o responsável pela morte era um inimigo. O oráculo disse que para a ‘alma’ da criança combater isso, exigia-se para o sacrifício um pedaço de pau em chamas, uma garrafa de bebida alcoólica e um filhote de cachorro. O pau em chamas devia ser colocado na sepultura, a bebida devia ser borrifada sobre a sepultura, e o cãozinho devia ser enterrado vivo próximo à sepultura. Isto supostamente despertaria a alma da menina falecida a fim de vingar sua morte.

“Levei a garrafa de bebida alcoólica e o pau em chamas até a sepultura, e meu pai levou o cãozinho que ele enterrou segundo as instruções do oráculo. Todos nós críamos que dentro de sete dias a alma da menina falecida destruiria a pessoa que causou sua morte prematura. Passaram-se dois meses e nenhuma morte foi relatada na vizinhança. Fiquei desiludido.

“Eu tinha 18 anos na ocasião. Pouco depois conheci as Testemunhas de Jeová, que me mostraram nas Escrituras que os mortos não podem causar nem bem nem mal aos vivos. Quando o conhecimento da Palavra de Deus se arraigou em meu coração, eu disse a meu pai que não mais podia acompanhá-lo em oferecer sacrifícios aos mortos. De início ele ficou furioso comigo por abandoná-lo, como ele o expressou. Mas quando notou que eu não estava disposto a renunciar à minha recém-encontrada fé, não se opôs à minha adoração de Jeová.

“Em 18 de abril de 1948, simbolizei minha dedicação mediante o batismo em água. Desde então, continuo servindo a Jeová com muita alegria e satisfação, ajudando outros a se libertar da adoração de ancestrais falecidos, que não podem nem ajudar-nos nem prejudicar-nos.” —Contribuído por J.B.Omiegbe, cidade de Benin, Nigéria.

[Foto na página 7]

Haverá grande alegria quando os mortos forem ressuscitados no paraíso aqui na terra

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    Author: Clemencia Bogisich Ret

    Last Updated: 07/15/2022

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